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14 de agosto de 2013

Sexo como antigamente

- No meu tempo as moças não faziam isso não. A gente namorava com os olhos. Um arrepio, se o menino olhasse de volta. Não vou dizer que não pensávamos em sacanagem. Pensávamos e muito. Mas era diferente. As cuecas eram em outro formato e quando saíamos para as lojinhas ficávamos imaginando aqueles meninos vestindo aquele pedaço de pano, não esse shortinho boiola que os homens usam hoje em dia.

- Que nada. Eu era bem safadinha. Lembro muito bem a primeira vez que vi um piru. Meu quarto tinha janela que dava pra rua e uma vez o menino não aguentou e foi fazer xixi. Eu ficava escondida e deixava apenas uma fresta para poder espiar. Achava engraçado ele sacudindo.

- A primeira vez que eu vi um pinto foi o do meu pai. Era nojento. Mole, grande e cabeçudo. Mamãe tinha uma falta de gosto. O pinto que eu mais gostei de ver foi o do Paulinho.

- Aquele seu namoradinho?

- Sim. Era branquinho e com a pontinha rosa. Mas fiquei com medo de pegarem a gente atrás da árvore. Eu gostava de admirar.

- Você só ficava olhando? Se fosse eu teria feito tanta coisa com ele.

- Mas eu fiz! Não conte isso a ninguém: eu coloquei na boca. Não perdi a virgindade, pois ia ter problemas no casamento e poderia engravidar. Foi tão bom. Quase matei o menino do coração. Levei tempo pra entender que não podia bater nos dentes.

- E você bebeu? Ai que nojo.

- Vai me dizer que você nunca bebeu?

- Nunquinha.

- Pois é muito bom. Essa juventude de hoje não sabe aproveitar nada. Essas moças não sabem se preservar. Saem com todo mundo, mostram a bunda pra todo mundo.

- É mesmo. A filha da vizinha se perdeu, você soube?

- Menina, não me diga? Tão bonitinha... E quenga. Invés de esperar.


- É por isso que eu sempre digo pra Rita: “Rita tu sai da janela que as moças desse lugar nem se demora donzela, nem se destina a casar”

28 de janeiro de 2013

Cm

Hoje ele não me cumprimentou. Estava de polo vermelha, minha cor de atual e momentânea predileção. O cabelo loiro recém cortado militarmente, desta vez à tesoura. Pontas sedosas. Os olhos estavam tão fixos ao horizonte que não notou meu aceno céfalo. Minha alma quase desfaleceu. A indiferença penetrou meu peito como uma faca. Será que estaria ignorando a mim por motivação raivosa? Será que minha presença o encomodava? O que será que disse? A memória de nossos silêncios atentáva-me que nunca trocamos sílabas maiores que “oi”. Percebi também que nunca havíamos chegado tão perto um do outro. Nossos corpos a centímetros de distância. Sua silhueta sugava o meu completamente.

30 de dezembro de 2012

o Loiro


Era tarde quando você apareceu. Cabelos louros, curtos, olhos verdes como esmeralda e voz amadeirada. Um menino quase homem. Uniforme azul e branco de escola. Queria os meus serviços. Insistiu mesmo dizendo-lhe que não, que causaria problemas se alguém descobrisse. Durante uma semana veio todos os dias.

A escola ficava há uma quadra do meu apartamento. Da varanda via você chegando. A campainha tocava e meu coração pulava. Meu corpo desejava o seu. Quando abri a porta não falamos nada. Minha boca encontrou a sua e acabamos nos unindo. Seu rosto imberbe, quase infante, quase aner. Despia o uniforme enquanto meu corpo queimava. Fizemos amor. Não sexo, mas amor de verdade.

Desejava mais que ao dinheiro. Não queria que pagasse. A única coisa que eu desejava é que retornasse todos os dias. Todos os dias ao meio-dia a campainha tocava, fazíamos amor, conversávamos e tudo voltava ao normal. Você ia embora e eu continuava a atender meus clientes.

Um dia chegou aqui, barba mal feita, calça e camisa social, pediu-me em matrimônio. Não tive reação. Queria rir, queria dizer sim, mas não era certo. O que iriam falar? Seus pais, a sociedade, os amigos. Mesmo querendo gritar afirmativamente eu disse não porque era o certo. Nossas lágrimas, seus gritos, a indignação no seu rosto e seu corpo no chão da calçada. Pensaram que eu havia lhe jogado. Meu amor. Após aquele dia passei o restante a minha vida na cadeia. Até estar aqui nesse túmulo fétido, deixando-me ser devorada pelos insetos. 

22 de outubro de 2012

Estupro


Tira a roupa.
Eu não quero.
Não perguntei se você quer.
Não vou tirar a roupa.
Ahh!
Vai tirar agora ou quer que eu rasgue mais?
Para! Me solta!!!
Grita mais, grita!
Socorro!
Escuta aqui sua putinha, se tu gritar outra vez...
O quê? Vai fazer o quê? Ahh!!!
Gostou vadia? Que apanhar mais quer?
Não! Para, por favor, para!
Cala a boca e chupa!
Não!
Chupa ou eu arranco os teus dentes na base do tapa
Por favor, não... Eu não quero...
Você ainda não entendeu: quem manda nessa porra sou eu! Agora chupa. Isso... Assim... Ahh!
Tá gostoso agora, filho da puta!
Meu pau, sua vaca!

8 de janeiro de 2012

A noite de Amy (continuação p.2)


Seus olhos só se mexeram quando já era noite. Subiu as escadas e foi tomar um banho. Olhou-se pelo espelho e sentiu que nunca esteve mais suja. Começou a despir o vestido rasgado nos ombros. Viu as marcas no pescoço ainda mais vermelhas que antes. Teve vergonha e muita vontade de chorar. O que os vizinhos iriam pensar? O que sua mãe iria pensar? A lembrança da mãe cantarolando uma canção de ninar repousou sobre sua mente. Ela sempre o fazia quando Amy tinha uns seis ou sete anos. Arrancou a roupa íntima. Seus olhos pousaram sobre a genitália e sem mais pensar em nada deixou que a água morna caísse sobre o seu corpo.

Enxugou os cabelos lisos com mais cuidado que o resto do corpo. Fez uso de um creme íntimo e colocou uma camisola sobre o lingerie. Caminhou até o corredor. As lembranças ainda enchiam sua mente. Por um momento fechou os olhos e não os conseguia abrir. Tudo continuava escuro em um breu infinito. Percebeu, então, que não era um sonho e que a energia se fora, não só na sua casa, mas em todo o bairro. Niterói sempre teve esses problemas no verão. Amy tateou pelo caminho que já conhecia, até chegar ao quarto e se ajeitar na cama. Apesar de ter dormido o dia todo sua mente continuava cansada. Desejou subitamente não existir. Antes de adormecer sua mente vagueou pelos lugares em que poderia se jogar, fazendo com que seu corpo se separasse da alma. Concordou consigo mesmo que a janela do quanto não seria suficiente, já que estava no segundo andar. Pensou em uma das janelas do Niterói Shopping, lá sim não haveria dúvida, já que o arranha-céu era o prédio mais alto da cidade. Concluiu em seguida que seria difícil entrar em qualquer um dos escritórios da torre sem produzir suspeitas.

Seus olhos se fecharam, contudo uma luz iluminava o seu quarto. Deduziu que a energia retornara, sem questionar se havia deixado a lâmpada acesa. Levantou da cama tão bem disposta que nem parecia estar tomada de tanto sono. Desceu as escadas até chegar à cozinha revestida com azulejos fora de moda, cor marrom. Ela tinha repulsa só de olhar, mas não conseguira dinheiro para fazer uma reforma na casa. Colocou água e pó na cafeteira e esperou o café magicamente aparecer na jarra. A atenção totalmente voltada para o líquido de cor escura que escorria pelo vidro foi perdida quando a campainha tocou.

“Não é possível... Aqueles policiais a essa hora...” – pensou, destrancando a porta. Ao girar a maçaneta empalideceu-se por completo. Parecia que uma luz negra tomara toda a sala. Não consegui desviar os olhos dele. Tentou gritar, mas era como se estivessem num vácuo. A cada passo que ele dava adentrando, ela recuava em resposta, até cair no sofá, imóvel. Amy não conseguia entender como ou porque, mas ele estava ali e antes que pudesse pensar alguma coisa sua camisola foi rasgada pelas mãos enormes dele. Ele começou a se despir também. E antes que pudesse ver o membro dele um barulho tomou toda a casa e tudo em volta começou a escurecer.

Amy sentou-se depressa na cama, suada e ofegante, mas bem. Não viu a luz do quarto acesa, mas a luz do sol que tomava todo ambiente, assim como o som do antigo despertador de cobre que anunciava que tudo aquilo havia sido um sonho e que estava na hora de trabalhar.

5 de janeiro de 2012

A noite de Amy (continuação)


Amy ainda repetia as mesmas palavras quando o delegado desistiu fechando sua pasta e se foi liberando a moça para voltar quando estivesse mais calma. Naquela manhã Amy não dormiu, nem comeu. Suas mãos ainda tremiam muito. Chegou em casa carregada por um policial, que não disse uma palavra sequer e foi embora fechando a porta e deixando-a sozinha como quando saíra de casa.

Sentada no sofá confortável de cor ocre, uma das poucas coisas que conseguira comprar com o mísero salário, observou a casa como ela a tinha deixado: o copo d’água sobre a mesinha no centro da sala; um vestido rosa (ficara em dúvida se o usaria ou o preto ficaria melhor) sobre o repouso do braço do mesmo sofá e; a lâmpada acesa da varanda, que agora disputava sua luz com os primeiros raios da manhã.

Pensou em levantar e preparar um café, na tentativa de esquecer o que se passara em poucas horas. Sentiu tanta tristeza de não ter sua mãe ali por perto naquele momento que chegou a desejar a mesma morte que ela. Um triste acidente de carro. O motorista do outro veículo estava bêbado. O pai e a mãe de Amy morreram, a menina, porém, chorava no banco de trás porque seu brinquedo voara pela janela.

Sua mente voltava ao lugar ainda latejando com a dor de cabeça. Intentou outra vez o café, mas desistiu ao mover a perna esquerda alguns centímetros.Sentiu a vagina úmida de sêmen. Os seus pensamentos pararam na lembrança do homem negro recolhendo o membro e largando-a a esmo. Sentiu uma imensa vontade de chorar outra vez e enquanto seus cediam ao peso das pálpebras, ela adormeceu ali mesmo.

23 de dezembro de 2011

A noite de Amy

Amy estava assustada demais para falar. O delegado Ridle perguntava pacientemente sobre sua noite, querendo saber de todos os mínimos detalhes. Nada que ele dissesse poderia fazer a moça falar mais do que "meu pescoço". Repetira sempre as mesmas palavras pela última meia hora e cada vez que seus lábios contraíam, as lágrimas saltavam como suicídas ao precipício.

Ridle era um homem bom. Tinha família, filhos e um emprego que lhe permitiam estressantes dias e noites. Desejara naquele momento ter se tornado um vagabundo. Não teria que estar ali interrogando um maluca que tinha sido assaltada. Mas era o trabalho dele e mesmo desejando ir ficou ali ouvindo as duas palavras que a moça repetia. Olhou o relógio pela sexta vez, e uma sétima ainda. Desistiu de olhar a nona quando na oitava descobriu que o dia já estava para amanhecer.

O corpo de Amy tremia. Ela não precisava de um delegado, mas sim de um médico. A voz rouca que repetia as mesmas palavras lembrava-se exatamente do que acontecera. Negro. Alto. Forte. Ela sentiu lá pelas duas da manhã aquele corpo dentro do seu. Era como se aquilo fosse infinito. Estava tão feliz que podia ficar ali encostada à parede com ele para sempre. Mas a respiração dele começou a ficar mais ofegante. As mão negras e enormes agarraram seu pescoço com tanta força que não conseguia respirar. Tentou bater nele. Tentou gritar. Tentou fugir, mesmo nua, pela rua. Estava vendos as luzes dos postes sumir junto com o mundo quando o homem soltou um grito, como um urso e a largou. O ar começou a entrar novamente e doía muito. Caiu no chão sem forças para falar, nem pedir ajuda. Viu o homem recolher a jeba  para dentro da cueca, vestir a calça e partir sem sequer se lembrar que estava ali.

-Minha jovem, se você não me disser o que houve eu não vou poder lhe ajudar.

-Meu pescoço - repetia sobreamente.

15 de novembro de 2011

O Gordo


Ele ainda está sonolento. Na verdade, acaba de acordar. Nunca estivera ali, nem sabia como chegara a lugar tão horrendo. Tudo de que se lembrava era distante. Saíra de casa cedo para trabalhar. Acordou suado como sempre acordava todas as manhãs. Tomou banho. Lavando com mais intensidde o pênis, pois após o trabalho iria encontrar a namorada. Ele amava sua namorada. Colocou o terno preto com a camisa branca. Precisou de um pouco mais tempo para escolher a gravata. Sua mente pairava entre a azul turquesa e a grená. Finalmente selecionou a azul dando-lhe um nó italiano no pescoço. Nada como mais um extressante dia de trabalho. Pensou no sexo que faria com sua namorada. Sentia orgasmo quando no ápice da felação, passava a língua em sua glande. Ele passou o dia em meio aos papéis do escritório. Pensou na sorte que tinha: 25 anos e estava ali. Está quase na hora de bater o ponto. Pensou novamente no sexo. Sentia enrijecer o membro. Sentia tanto orgulho que outro dia quase lambeu o próprio pênis. Voltou a si, pensando em como seria vergonhoso se o vissem excitado. Tentou esfriar a cabeça. Já estava na hora de ir. Caminou novamente até o carro abriu a porta e acordou ali sem sequer saber o que houve.

O lugar é escuro e apenas uma lâmpada o livra da escuridão total. Percebeu que estava de pé e que assim havia dormido. Não que tivesse superpoderes, mas estava preso pelos braços por correntes que desciam do teto, iam até os pés e volteavam os tornozelos. Não sentiu os sapatos. Eles não estavam mais em seus pés. Nem o terno. Estava completamente nu, exceto pela gravata turquesa frouxa em seu pescoço. Pensou na namorada que o estava esperando, mas uma pequena janela deixava passar luz, anunciando que já era manhã. Não havia relógio. Seu olhar atentava fixamente à janela procurando vestigio de onde estava. Viu uma cruz, na verdade o próprio Cristo de costas abençoando outrem. A porra do Cristo sempre abençoava outrem, pensou. Pelo menos, sabia que estava no Rio.

Uma porta abrira-se no meio da escuridão. A figura pitoresca de um homem gordo e nu apareceu em sua frente. Proferiu algumas palavras que ainda sonolento não conseguiu entender. Apenas via as banhas que lhe caiam sobre o pênis pequeno. Teve nojo, mas lembrou que também estava nu. E se fosse outra vítima? Vítima de quem? Reparou que homem trazia uma marmita. Pegou uma colher de arroz e feijão e enfiou na boca. Um pouco de caldo e caroços escorreram pelos lábios e pelo pescoço gordo. Com a mesma colher passou pelo corpo cheio de pelos colhendo os resídos da comida e depositando-os na boca. Ainda acorrentado, sentiu muito mais nojo ao ver esta cena que a anterior. Fechou os olhos para não vomitar. Sentiu algo encostando em sua boca. Era a mesma colher cheia do mesmo feijão e arroz. Tentou rejeitar, mas com a outra mão o gordo apertou-lhe os testículos. Sentiu tanta dor que abriu a boca e nem sentiu o que engoliu. Sentiu vontade de chorar e ainda suava muito. Fechou novamente os olhos. Queria acordar desse pesadelo.

O gordo largou a refeição em um canto qualquer. Seu corpo extremesseu ao sentir com o próprio pênis a boca suja do gordo. Ele chupava como uma criança a um pirulito. Lembrou de sua namorada fazendo a mesma coisa, com carinho e amor. Lambendo a glande, entre o prepúcio e por fim os testículos. Sentiu que o gordo concentrava-se agora justamente entre o prepúcio e a glande. Alguns restos da comida ficaram alojados ali. Mais uma vez, teve vontade de chorar como uma criança. Sentiu inda seus testiculos doloridos pelo golpe. Mais uma vez pensou na namorada e em como ela acariciava a bolsa escrotal. As mãos do gordo agora passavam uma espécie de óleo excitante no pênis que aos poucos ia endurecendo. Teve nojo outra vez e sentiu-se um lixo por estar traindo sua namorada. Mas não era sua culpa. Era culpa do gordo.

Um calafrio tomou-lhe o corpo. Sentiu prazer. O mesmo prazer que sentia quando a namorada lhe chupava. Teve um orgasmo. Olhou fixamente para o gordo. Ele ficava muito mais nojento quando sujo de esperma. Sentiu nojo de si mesmo. A luz apagou-se. A escuridão era intensa. Não viu mais o Cristo de costas. A Janela sumiu. Pensou que ia ser deixado ali para sempre. Até que uma luz e uma voz... “Amor! Estava gostoso?” Reconheceria aquela voz em qualquer lugar. Era sua namorada. Abriu os olhos e estava nu em sua cama. Ela fazia-lhe sexo oral matinal e tinha o rosto sujo de esperma. Ficou confuso e desejou sonhar outra vez com o gordo. Queria a boca suja do gordo. Queria gozar na boca do gordo. Ele se apaixonou pelo gordo. O gordo...

17 de outubro de 2011

Amor Facebook



Ela desvia o olhar quando a olha. Sente-se arrepiada. Admira-o como um deus. Religiosamente, às 21 horas, usa o Facebook para o observar. Procura nas fotos algo mais que possa ser revelado. Um sorriso. Um olhar. Sente-se pervertida ao imaginá-lo desnudo. Tenta reter o pensamento e as mãos que massagem seu próprio corpo à luz do monitor.

Por um instante, ele está online. O seu coração palpita. “Oi” – diz. Ele demora um pouco e corresponde com o mesmo cumprimento. Passa por sua cabeça estar pressionando o rapaz, mas ele entra na conversa descontraidamente. “Eu também adoro essa música”. “Você sabe qual é o texto da aula de hoje?”. “Aqui está meu telefone...”.

Ela não queria que essa conversa terminasse. As horas voaram. Desesperada, dá o último grito e... “Você ficaria comigo?”. Ele demorou novamente a digitar as palavras. “Olha, eu não posso...”. Ela não esperou o rapaz completar a mensagem seguinte. “Você tem namorada?”. “Não. Eu sou gay.” Ele fechou a janela e desligou o computador com medo que a garota contasse seu segredo ao mundo. Ela continuou ali parada, inerte. Até que chorando foi deitar-se.

5 de outubro de 2011

O Oralista e a Puta



Ele sentia como se fosse tudo queimasse. O pênis ereto, mamilos rijos e olhos fechados. Estava ali para ter sua primeira tranza. Tinha medo de não corresponder às espectativas do pai que o aguardava do lado de fora, ou melhor, dentro de outro quarto.

De fato, aquele não era o melhor lugar para um garoto perder a virgindade. As escadas eram escuras, iluminadas apenas por algumas lâmpadas vermelhas. Após seguir o pai pelos degraus rangentes que anunciavam a chegada de novos clientes, os dois foram conduzidos aos respectivos quartos por uma mulher de meia-idade e o rastro de fumaça deixado pelo cigarro que fumava. O homem soltou um “Vai lá, garoto!” e ele apenas piscou o olho. Não queria de modo algum dar o braço a torcer, mas sentia o corpo estremecer cada vez que a puta lhe lambia a glande.

“Olá, menino! Qual é o seu nome?”. Ele a olhara de cima a baixo. Reparou em tudo o que aquele segundo antes da sua esposta o permitira: cabelos louros, percing na barriga, calcinha fio-dental. “Pedro” – A voz saiu mais trêmula do que imaginara. “Está nervoso? Vou fazer você relaxar...” Ele não teve tempo para responder. As mãos quentes e umidecidas com óleo erotizante já estavam entrando pela camiseta e tirando-a. Os cabelos louros dele se avoaçaram e ela, como uma carinhosa mãe, os ajeitara. Ele sorriu ao olhá-la nos olhos, estava entregue. O entreolhar não durou mais que um segundo, pois as mãos da puta tateavam agora o volume do geniral sobre a bermuda de surfista verde-claro. A respiração começou a ficar mais profunda. Estava agora vestindo apenas a cueca. Passou por sua cabeça o momento em que escolhera a peça íntima. Era uma boxer branca em microfibra e elástico vermelho. Muitos atores dos filmes pornô que assistira usavam uma dessas.

Ela começou a baixar-lhe a última peça e ele pensou não ter “aparato” suficiente para satisfazer a pobre puta. Mas todos os pensamentos deixavam de existir quando sentiu com o próprio pênis o calor daquela boca. Sentiu emergir o membro e entregou-se ainda mais.

Passaram-se alguns minutos nessa posição. Ela, como boa profissional, tentava dar continuidade à tranza. “Não, por favor, não pare!”. E tomado de êxtase ele goza em sua boca o sêmem aquoso de menino imberbe. Ele não quis consumar o resto. Estava curtindo o momento. Então, vestiu sua roupa, despediu-se da puta e foi-se ao encontro do pai. “E aí, como foi, garanhão?!!!” Sua voz tomada de um tom nostálgico acompanhada dos olhos fechados apenas disse: “Foi foda!”

A caminho de casa o garoto pediu ao pai que o levasse lá outra vez. E outra. E mais outras. Em todas as veszesm com a mesma puta e o mesmo sexo oral. Aquilo era viciante. Desejava sentir aquela língua percorrendo todo o corpo do membro até chegar à glande, ao orgasmo.

Certo dia, o pai percebendo a paixão do filho pela puta, decidiu que era hora de seu filho ter relação que ele mesmo conquistasse. Contou ao filho que não pagaria mais a puta. O garoto então trancou-se no quanto e jogou-se da janela, decidindo-se em morrer ao vivem sem a boca da puta.

29 de setembro de 2011

O encontro



A praia estava como sempre. Pessoas correndo pra lá e pra cá em seus calmos exercícios no início da noite. O vento ameno acariciava-me a pele a cada passo que dava. Ricos e seus cachorrinhos me olhavam com desprezo. Mas não ligo pra isso. Continuo sempre caminhando, mesmo sabendo que quando chegar ao outro lado da orla, darei meia volta e farei o mesmo caminho, outra, e outra vez.

Aquilo era tão normal que fazia involuntariamente. Olhava os rostos masculinos e o que trazia entre suas pernas. Qual é? Toda moça virgem sonha com uma falo priápico e melhor ainda se o sujeito tiver cara de anjinho e barriga tanquinho. Muitos ali eram assim. O dinheiro os fazia bonitos. Mas houve um, que me olhou também.

Aquele olhar não era qualquer olhar. Era o mesmo olhar que eu lhe lançava. Assustei-me e abaixei a cabeça, envergonhada. Ele continuou sua corrida e eu segui meus passos. Foram apenas alguns segundos. Dois, ao máximo. Mas o desejei como fosse o último. Olhei para trás e o vi melhor. Cabelos curtos, negros. Camiseta vinho, calção de futebol preto e tênis. Não era um Apolo. Não parecia ser esnobe ou coisa assim. Também não vi o volume do genital, mas o desejei. Desejei-o tanto que corri para chegar ao fim da praia e vê-lo passar outra vez.

Voltei a caminhar o meu ritmo e o avistei. Uns 200 metros à frete, vindo em minha direção. Olhava-me como eu o olhava. Senti em seus olhos que me desejava tanto quanto eu o desejava. Meus olhos não tinham outro foco, senão os dele. Quando passamos um pelo outro senti minha cabeça o acompanhar. Ele fez o mesmo. Desta vez não senti vergonha, mas prazer. Somente prazer.

Cada vez que passavamos um pelo outro perdiamos a visão do universo ao nosso redor. Aos poucos, os olhares tornaram-se sorrisos. E os sorrisos um singelo “Oi!”. E o “Oi!” a fim. Ele não passou mais por mim. Olhei para todos os lados e não mais o vi. Ele se foi como num olhar e eu não vi.

14 de agosto de 2011

Acho que não somos seres humanos




Muita gente vem até mim falar sobre o sucesso do meu Blog. Pessoas que eu sequer imaginava que estariam lendo tais palavras em algum momento dos seus dias param tudo e leem o que eu escrevo ou republico. Acontece que isso às vezes me deixa desconcertado. Minha sinceridade não foi feita para imaginar até onde estas letras irão chegar e nem em que idioma elas soprarão. Cada uma dessas palavras representa um pouco de mim e mesmo que possa parecer promíscuo, indecente, polêmico e outras coisas mais, este canal é perfeito para mim.



Depois da minha odisseia para tentar chegar à faculdade, peguei um livro sobre erotismo no Império Romano. Fico pensando em como somos parecidos com animais? Tudo neste planeta faz sexo. Já falei sobre formais muito estranhas em contos que escrevi e postei aqui, contudo, há ainda muitas outras formas de sexo a serem desvendadas e documentadas. Há pessoas que possuem atração por cadáveres, animais, plantas, escremento e tantas outras coisas. Tudo isso é normal.



Adoro falar de sexo. Não vejo problema algum nisso. Todo mundo tem. Todo mundo faz e se ainda não fez irá fazer seja de qual forma for. Há 3.000 anos atrás havia um boom no adultério porque as pessoas, em casamentos arranjados, eram infelizes e por isso o sexo adúltero era selvagem. Não acho que mudamos tanto assim, mas há de se aceitar que a nossa sociedade é sexualmente frustrada. As pessoas tem tanto medo (ou vergonha) de falar de sexo que isso se transforma em um tédio. Claro, que não é necesário dizer “faço isso, faço aquilo” aos quatro cantos, mas admitir para si mesmo (a) “nesta posição sinto mais prazer” ou “acho que se eu usar o sabonete e esse choveirinho fica um espetáculo!” não distroi ninguém.


Admirar alguém na rua, conhecer bem o órgão sexual do seu parceiro (a) e o seu também é fundamental. Como exigir de alguém o que você não tem a mínima ideia? Visitar um sexshop pode ser constrangedor na primeira vez, mas depois você pode descobrir produtos que se identifiquem com você. Sei que amanhã (ou hoje mesmo) alguém virá a mim e dirá “Ai, meu Deus, que pouca vergonha!”. Deixo de antemão a dica: o Livro de Cantares de Salomão - uma verdadeira narração erótica na Bíblia, bem mais afrodisíaca qua o próprio Khama Sutra. Vai se escandalizar? Estranho é que ninguém se escandaliza com o nariz na vida alheia, não é? Até parece que não somos seres humanos...

10 de agosto de 2011

Erotikos


“O lugar mais erótico de um corpo não é lá onde o vestuário de entreabre? (...) é a intermitência que é erótica (...) é essa cintilação mesma que se seduz (...) a encenação de um aparecimento-desaparecimento”.


BARTHES, Roland. O prazer do texto. São Paulo: Perspectiva, 1977.

29 de julho de 2011

Esperma, seiva e sangue.


A cidade dorme. São quase quatro da manhã. A respiração dele está ofegante. O membro ereto grita, pede sexo. Ele cuida para que ninguém veja sua saída. Fecha as portas como se nunca mais fosse retornar. Veste apenas uma roupa íntima. Para que se vestir? Iria logo alí no quintal da própria casa.

Branca, lycra e apertada. Sentia a cueca como um masturbador enquanto caminhava até ela. Ela não era linda, não sabia falar ou escrever. Apenas fazia diária a fotossíntese. Ao observá-la bem e acariciá-la o tronco rijo e sensual, arrancou a única pessa que vestia e começou a penetração.

Depois de dias produzindo um buraco no imenso caule que coubesse todo o pênis, agora todas as terminações nervosas do membro levavam calafrios ao corpo. Era uma sensação incrível. A madeira provocava-lhe arranhões e ao mesmo tempo a seiva que escorria da planta, como um lubrificante era como um orgasmo.

Ele gemia como fosse o último sexo, mas não era. Já o fizera diversas vezes. Sua respiração ofegou ainda mais até que ejaculou o sémem sobre a seiva. Dois gozos. Dois orgamos. Aos poucos o prazer fora partindo para dentro do dendrum deixando apenas o seu membro coberto de uma mistura líquida e rosa composta pelo esperma, a seiva e sangue.


21 de julho de 2011

Homem introduz garrafa no ânus

Isso se chama falta do que fazer... As pessoas têm uns desejos sexuais tão estranhos. Ontem conversei com uma amiga que recebeu um onvite de um tarado por roupas de lycra. E cada vez mais eu não me surpreendo: por quê?

3 de junho de 2011

A surpresa


Ele afrouxa a gravata. Está na hora de ir para casa depois de mais um longo dia de trabalho. Antes de sair do estacionamento confere as ligações perdidas. Uma de sua mulher.

—Amor, você me ligou?

—Sim. Preparei uma surpresa especial para você.

O sorriso malicioso em seus lábios não pode passar pelo telefone que fora desligado com toda rapidez de chegar em casa. Nada como uma boa noite de sexo para tirar todo o peso do estresse. E que estresse! Cada dia é mais difícil conviver em um ambiente de trabalho. Assim pensava ele deixando elevar-se o volume entre as pernas. Lembrava-se das loucuras tão rotineiras da sua mulher, tinha orgulho de tê-la em orgasmos múltiplos. Estava tão longe de si que quase bateu o carro no infinito transito.

Depois de duas longas, carro na garagem, e luzes apagadas estava em casa. Luzes apagadas? Será uma forma de sexo no escuro? Tão estranho, parecia-lhe que teriam um sexo tão selvagem, mas no escuro? Abriu a porta chamando a mulher que respondeu do quarto com ofegante voz. À penumbra da luz negra viu sua mulher sobre a cama. Lingerie de couro e chicote como a Tiazinha. Lembrara-se deste personagem e das vezes que quando solteiro masturbava-se inspirado naquela figura tão erótica. Ao descobri-lo no recinto, ela fez acender uma luz vermelha como num bordel. Despiu-lhe o terno. Primeiro o paletó, depois a camisa. Abriu o zíper e o sinto, cada um com uma mão. A calça desceu aos pés e ela fez questão de fazer o mesmo com a cueca branca que comprara especialmente para o marido. Era modelo Boxer, sem costura, com elástico vermelho. Parecia ter um orgasmo só em vê-lo com a roupa íntima. Desabotoou a camisa, botão a botão até deixa-lo completamente nu.

Após o ritual beijaram-se. Ela interrompeu o beijo, e sussurrou-lhe:

—Hoje quem manda é eu.

O membro ereto ficara mais duro ao sentir o calor das palavras da esposa.

—Feche os olhos.

Ele prontamente obedeceu. E como instantaneamente sentiu seu ar indo embora. Caiu contorcendo-se de dor, segurando os testículos. Enquanto isso, a louca algemava lhe os braços por trás enquanto sua mente tentava imaginar o que se passava. Se acaso estaria sendo sequestrado pela própria esposa para conseguir o dinheiro do seguro ou coisa do tipo.

—Hoje a noite é sado.

Ele estremeceu ao ouvir a frase. Desta vez o membro não levantou, na verdade ele adormeceu com o chute. Mas seria esse apenas o começo da grande surpresa. Agora ela está alevantá-lo para uma sessão de chicotadas. Daqui a pouca, vela derretida no púbis. Isso até terminar com choques elétricos no pênis. Ela adorava o apetite sexual do marido. Tão liberal.

—Amor, não é excitante? Devíamos fazer mais vezes assim.

Ele não conseguiu responder. Estava desmaiado e dolorido.

1 de junho de 2011

Erótico

Nos últimos dias, tenho refletido muito sobre o comportamento humano e animal em relação ao sexo. Em virtude disto, surge ao papel contos de natureza erótica que ando escrevendo. Meu objetivo não é fazer com que o meu Blog vire um site pornográfico (até porque pornografia e erotismo são coisas bem distintas) e nem que atraia malucos tarados viciados em masturbação, mas explorar a visão humana do sexo de todas as posições. Por isso, não se espante se ler um conto com o eu-lírico fêmea, gay, pederasta, homem, criança, velho e o que mais houver de sexo humano.

E lembrando: quer se masturbar? Compre uma Playboy ou uma G Magazine!

O Pederasta

Não contava mais que uma dúzia de anos. O cabelo liso estava pouco acima dos ombros como muitos meninos da sua idade. "As meninas gostam." Eu também gostava. Observava-lhe, por horas, a praticar esportes. Sempre foste apaixonado por futebol. Não me sai da cabeça a sua imagem, correndo atrás da bola. A camiseta branca dizia que ainda não era um homem. O calção azul delineava o contorno de um membro vivo ao qual se tornou minha obsessão.

Depois de algumas palavras descobri que era quase homem, que havia se tocado até descobrir suas verdadeiras fontes de prazer. E nessas palavras tão singelas ofereci-me a ensinar tudo que precisasse saber condicionando ao sigilo absoluto. De imediato pude ser agraciado com a sua afirmativa. Após isso, todos os dias, conversávamos no mesmo parque. Dávamos uma volta, comíamos cachorro quente. Éramos amigos. E sendo assim falávamos de tudo. Ele pediu a mãe para dormir na casa de um amigo para fazer um trabalho. Ingênua, deu-me em bandeja de prata o meu artigo de luxo.

Você descobriu em mim uma forma de ser homem e eu não perdia tempo em fazer-te real o desejo. Não que fosse desmiolado, mas sua inocência fazia ferver minha libido. E assim pedindo que fechasse os olhos, minhas mãos percorreram seu corpo infante como quisessem achar um tesouro. Sentia cada fio do seu cabelo querendo que fossem infindos, mas descobri em seus ombros outro horizonte. Sentia sua respiração, o suor na camiseta, o tremor do seu nervosismo. Intentei despir-te o peito, contudo, minhas mãos queriam mais do teu corpo em tecido. Você sorriu e estremeceu quando senti suas nádegas sobre o calção azul. Confesso que também estremeci, mas não poderia parar agora. Minhas mãos continuaram a seguir sua silhueta até onde realmente queria. Também fechei os olhos para sentir cada milímetro. Não usavas roupa íntima. Sorria aos soluços. Puxei num impulso e revelou-se a mim a imagem de uma genitália mediana, mas que reagia a cada caricia que eu pudesse fazer.

Minha boca abraçou a glande fazendo-lhe estremecer o corpo inteiro. Os gemidos começaram a ficar altos demais até que um líquido ralo e levemente esbranquiçado jorrou. Era algo tão novo para você. Durante muito tempo ficamos assim. E aos dias que seguiam e iam-se embora tudo permaneceu como sempre. Até que eu desejei mais. Desejava o seu corpo e o meu como um só. Uma só carne. Cada vez que te tocava te desejava e assim lhe desejando fui seguindo cada gota de suor que lhe caída da pele. Era como um brinquedo guardado no mais alto da estante e num instante tudo se foi. A sua imagem, a sua voz, a sua nudez. Tudo se foi.

27 de maio de 2011

Khama Sutra

Ele é uma delícia. Seu corpo chama inconscientemente o meu. A calça jeans meio colada ao corpo loiro e sua camiseta branca quase translúcida revelavam a silhueta do homem perfeito. Todas as vezes que passavas por mim seu cheiro e sua presença me arrebatavam para outro lugar, para longe de mim.



Cada detalhe do rosto belo acompanhava meus sonhos à noite. Amava-te tanto e nem sabias disso. Todos os dias quando passavas por mim e fazias ecoar o som da sua voz amadeirada e suave com um simples “bom dia”. Arrepiava-me o cabelo, sem saber o que dizer, apenas retribuía o cumprimento. Desejando no íntimo gritar que ansiava loucamente ao teu corpo.

À noite vinhas desnudo chamando meu nome à toda voz e eu da mesma forma pegava-te as mãos e deslizava-as pelo meu corpo.  Beijava-lhe a boca quente e molhada. Chegava ao infinito mágico. Sua boca deslizava, descia pelo meu corpo até chegar ao meu sexo. Sugava-me as forças e o controle. Em pouco tempo meu corpo dava-lhe o néctar do meu desejo, fazendo-me desfalecer por completo.


Agora era minha vez. Beijei-lhe novamente a boca, sentia a minha própria seiva em seus lábios. Meus lábios percorriam seu pescoço, a barba rala quase inexistente, até chegar ao seu peito. Senti as batidas do seu coração. Estava ofegante e batia forte. Continuei seguindo o meu caminho até que cheguei ao seu sexo. Era doce como uma maçã. Senti-me esmorecer e sua respiração mais intensa. Sentia-nos como uma única coisa. Seu néctar invadia a minha boca. Não sabia decifrar a sensação, mas sabia que não queria sair dali nunca mais.

Mas saí ao acordar pela manhã fria e chuvosa. Você passou na minha frente, deu-me outro “bom dia” para que colocasse na estante junto à coleção. O nosso amor transformou-se em “bom dia” mais uma vez.

O Rosto


Quando entrei no ônibus não vi o que eras. Sentei atrás de alguém até perceber-te em minha frente. Os castanhos cabelos curtos e meio encaracolados gritavam meus olhos. Pensei em te tocar, em te ver o rosto despido. A razão cutucou-me. Disse-me palavras feias e convenceu-me a olhar-te um pouco mais. Desci aos teus ombros vestidos por uma camisa branca. Finas listras azuis e amarelas emaranhavam-se. Um jeans vestia-lhe o sexo. Não puder ver mais nada.

Meus olhos se fecharam a imaginar o seu rosto. Sua face angelical que me envolveria num pecador jogo de sedução. Minha respiração ofegava ao imaginar sua boca, carne vermelho-rosa que me sugava o fôlego. Abri os olhos por um instante. Uma senhora dormia num banco mais adiante. Um velho lia o seu jornal. Trabalhadores dormiam ao fundo depois de mais um dia de trabalho. A noite convidava a amar-te.

Um soslaio e seus olhos me viram no reflexo. O barulho da condução abafava os meus suspiros. Entreguei-me novamente aos sonhos. Desta vez desabotoava cada botão da sua camisa deixando revelar um peito onde minha cabeça repousaria a sentir seu calor. Minhas mãos caminham seu corpo. Abrem o zíper. Uma roupa íntima branca te separa de mim. Meus suspiros agora são gemidos e sua boca encontra a minha. Mais alguns minutos para lhe admirar a pele, o cheiro, o silêncio.

Apenas lhe tocava o corpo. Apenas isso. Mil vibrações passavam pelo meu corpo arrepiando-me ao sentir o calor do teu sexo que crescia e me chamava. Você não tinha reação. Não via seu rosto. Você não era. Nunca foi. Um amor desnudo que encontrei no ônibus. Teu sexo sumiu em minhas mãos, junto ao teu corpo. Chagou a hora de desce. É o fim da linha. Você não estava mais ali. Se foi há alguns pontos atrás, E eu nem vi o seu rosto.