31 de março de 2009

O Traidor

Se pudesse voltar
Não sei se voltaria
Se pudesses me perdoar
Certamente não o faria
As pedras são leves
E após tanto tempo
Ainda sinto o peso dos fardos

Nunca se esqueça
Que o mesmo mestre nos escolheu
Não que o mereça
Nem voê, nem eu
Traidores da mesma história

Que danem-se os espinhos vis
Regeitei amores gris
Sintilei meu próprio brilho
Numa estrela que jamais acendeu
Eu assumo: o traidor fui eu.

29 de março de 2009

O Único Olhar

Às vezes cavamos tão fundo os poços da mentira, que perdemos o foco da luz. E já não se sabe o que é verdade ou ilusão. Mas também, agora já não faz diferença. Desato-me dos tropeços e das feras que consumiam a carne da minha verdade, provocando a falência múltipla dos sentimentos meus. A voz se perdeu no caminho da canção. A visão?... Joguei-a fora em algum lugar. Sei lá....

As ruas estão tão vazias de carros, os meus passos vãos tão lentos na rapidez que descompassa ao ritmo das sublimes e tempestuosas batidas do meu coração. É verdade. Ainda tenho coração. E que digam que escrevo coisas sem nexo, pois os ignorantes não saber o que é sentimento, se o soubesse estariam escrevendo isto. Agora pois sois, não quem dizeis ser mas quem és em tua essência. A verdade da face mascarada com o medo e a incerteza. Tu és a única face. O único olhar.

15 de março de 2009

Deixe-me Entrar

Olhe nos meus olhos se puder fazê-lo

Cante a minha música se souber o meu compasso

Leia os meus pensamentos se me conheceres a alma

Grite o meu nome se acaso ainda tiver voz

Eu que sussurrava as palavras para que ninguém as ouvisse

Grito tão alto que nem eu mesmo me escuto

E as palavras que sonhei tanto em dizer

Perderam-se na dimensão entre o sonho e a realidade

Ame-me como nunca se ainda puder fazê-lo

Deixe-me entrar na tua íris e achar o que era meu

O amor que era meu. Seu. Mas não nosso.

5 de março de 2009

A boca



A boca com seus lábios carnudos, pontudos, pontiagudos que perfuraram meus lábios numa explosão de sentidos multiplos, num extase inxeplicável. A boca que beijou a minha boca foi até aonde minguém nunca foi. A boca sua foi te deixando toda nua, pra cair na sua. Sua lábia de língua. Palavras que se foram com o vento daquele momento, mas que continuam guardadas na minha mente. Lembranças mudas das verdades cruas, minhas e suas. Do nosso amor. Do nosso abraço. Do nosso passo.

Ainda beijo aquela boca, mas não somente isto. Hoje somos mais que duas bocas somos apenas um sexo e duas bocas se beijando. Somos o erótico e o santo. Tudo junto. E junto mais.

28 de fevereiro de 2009

Cartas na Mesa

Cartas na mesa

Estou com todas as cartas na mesa
Todas escritas de próprio punho
E quantos murros já dei escrevendo-as
Quantas frases escrevi pensando ser o curinga
Mas na verdade estava disfarçado de "As"
Nas copas da rainha

Elas ainda estão na mesa
Sobrepostas umas às outras
Desenhando um leque de mensagens
Bobagens que escrevi em momentos de solidão

E mesmo depois de tanto tempo
Desde que o jogo acabou
Elas ainda estão sobre a mesa
Devem estar esperando a sobremesa
Com espadas, feridas nas copas
Elas ainda estão sobre a mesa...

15 de fevereiro de 2009

Indiferença

O que sobrou das ruínas ainda é um mistério. Não sei porque escrevo palavras tão duras, mas sei que não posso calar a voz do meu íntimo. Vejo ainda as balas passarem por diante das minhas narinas. Ainda posso sentir o cheiro do projétil, que parecia desejar a minha alma em seu percurso fatal. Sorte que não fui eu, mas é pena: uma criança morreu.

5 de fevereiro de 2009

Quem?



Ainda guardo aquele retrato

Onde o nosso abraço era a paisagem

Ainda lembro dos passeios pela rua

Ainda lembro dos dias de chuva

Que as águas caiam e nos deixava úmidos


O sol chegou e agora?

Quem irá me aquecer?

Quem irá dizer palavras lindas

Quando a feiúra do universo me enredar?

Quem pagará o preço desse amor?

Quem?


Quem viverá a intensidade do infinito

E será com o meu corpo uma só criação

E quem andará de mãos dadas, atadas a mim?

Quem será o galante ao galope dos passos

O viajante de mim?

Quem?