21 de setembro de 2010

O fato (Ela sempre volta)




A voz é suave. Voa nas asas do vento. Flutua nos meus pensamentos. Volta aos meus ouvidos. Ela sempre volta. Ela diz, canta, grita, sussurra. Ela se comunica, se volta a mim.

A voz me leva onde nunca estive a e nunca estarei. A voz me estremece, me tira da inércia. Tudo é voz. Tudo canta. Sempre. Não existe vida sem canção. Não existe sonho sem razão. Não existe guerra sem nação. Tudo é voz, tudo é canção.

Por que grito tão alto? Por quê? Na verdade estou em silêncio. A caneta grita por mim. Ela canta no papel o que eu queria dizer. Ela fala por mim os pensamentos que são gritados.

Quem será essa voz leve como uma brisa e forte como uma ventania? Quem será esse grito silencioso que canta no papel a mesma canção durante os séculos. Eu lírico, onde estás? Deixa-me ver o teu rosto. Mostra-me a face do vento. Conta-me os dias do tempo.

A caneta continua gritando, não consigo parar. E parar para quê? O tempo não para. O grito não deixa de ser levado pelo vento. O mal não para. Por que eu devo parar? Sou uma voz na escuridão. Eu mesmo em todas as formas de sussurro. Eu ainda sou o vento. Eu ainda sou a voz. Sou claro no ato. O fato.

Ninguém importante




Ouve-se um barulho. Um grito macabro soava pela vizinhança. Regado ao som da chuva e à escuridão da noite. Ele é capaz de alcançar quilômetros de distância. Alguém acorda. A luz da casa se acende. Aparece um homem na janela. Ele olha a rua, analisa o recinto, contudo, nada encontra.

A noite torna-se dia. O céu é invadido pela luz de estrela mor e na rua vê-se um rastro de sangue. O corpo de uma mulher caucasiana, desnudo, fora achado. As crianças se assustavam com a cena. A chuva diluía a grande poça de sangue no asfalto. No entorno formou-se uma pequena multidão. Curiosos, que passavam por ali.

A expressão era de medo no rosto dos moradores, Aquela era umas das ruas mais pacatas do bairro. Quando a polícia chegou, a aglomeração começou a dissipar-se. Nada era normal. Ela começou a ser retirada. Ela tem um buraco na testa.
O sangue continua na rua. A cena de um crime a céu aberto ficará para sempre lá. Não se procurou o assassino. Ninguém reforçou a segurança. Foi só uma mulher. Não tinha importância.

Caindo em esquecimento



Batem-se palmas. O teatro lotado bravamente admira a cena. Todos estão com faces sorridentes. O ator desconcertado tenta lembrar a fala. Seus companheiros tentam ajuda-lo, repetem continuamente a deixa. O público nota. Comenta. O diretor bravo faz sinais da coxia.

O quê? Anh?! Eu esqueci a fala!

Essa foi a sentença de demissão. O diretor instantaneamente pega o contrato e grita:


Está demitido! Você foi o pior ator que vi em mais de trinta anos!

A partir daí generalizou-se a discussão em cima do palco. Uns apoiavam a decisão do diretor. Outros defendiam como feras o esquecido ator. Até que então, começou a pancadaria. Chutes e socos emaranhavam-se e a plateia começou a rir. Aplausos se ouviam. Parou-se a bagunça para se dar atenção ao público. O contra regra astuto fechou as cortinas dando fim ao espetáculo.

A plateia saiu encantada com a descontraída e inusitada apresentação. No dia seguinte a crítica foi a melhor possível. O esquecido ator fora recontratado. Agora como diretor do teatro. E quanto ao diretor? Ele esqueceu a fala e foi demitido.

16 de setembro de 2010



Será que ainda há luz no fim do túnel? Há tantos motivos para pensar na resposta negativa e ao mesmo tempo um desejo ardente queima dentro de mim esperando o positivo.

Quero compartilhar algo com todos. Essa canção me emociona.

http://www.youtube.com/watch?v=vY3Jsp2iLkA

11 de setembro de 2010

Pequenas Palavras


Queria te dizer pequenas palavras que o meu coração escreveu pensando em você. Queria dizer em seus olhos, mas eles me deixam sem palavras. Queria dizer o quanto eu te amo, mas como? Como poderia dizer “Eu te amo” a quem eu amo? Como diria o que sinto? Lembro do dia em que te conheci. Foi tudo tão rápido e tão depressa... Mas foi inesquecível. Às vezes eu me pergunto quem você espera o que você espera.

Nunca seria a pessoa certa pra você e pra ninguém, mais vi uma razão para mudar. Não por mim, mas por aquilo que desejo. E desejei pelo desejo mudar meu jeito de falar, de pensar, de viver. Mas, aí pensei “Será que estou mudando para o que esperas?”. Olhei pra você e vi o que mais me impressiona: você.

Você é você não importa a situação. Não importa o que digam, o que pensam, você é sempre você e para todos você é você. Percebi então que deveria ser o que sou. Mas o que sou é tão ruim...

Decidi mudar o que sou para o que não sou eu ser, e assim ser eu mesmo como você é você sem medo ser você. Descobri que te amo demais por que você é você e nada mais. Amo você muito mais do que pensei amar. Amo você sem maldades, sem interesses. E como era o objetivo desta mensagem, três palavras dizem tudo: Eu te amo!!!

1 de setembro de 2010

Mais que o refrão


Há tantas pessoas. Tantos palpites, tantas opiniões. Tanta gente ao meu lado e eu me sinto tão sozinho, tão sem amor. Meus olhos já choraram tantas vezes, mas as lágrimas ainda forçam a saída. Há tanta coisa que eu queria ser e não sou. Há tanta coisa que eu gostaria de ter e não tenho.

Queria lançar-me a uma paixão súbita por alguém. Queria beijar a boca loucamente. Ser o amante do amante. Eu queria sair de mim, mas abro os olhos para a minha triste realidade. Eu não sou real. O meu corpo excita-se ao olhar-lhe o corpo único que me atrai. Há um fogo que me afoga por completo.

Passo minhas mãos em sua imagem, em minha mente. Meu sonho respira fundo. Nada está tranquilo. As pessoas caminham ao meu redor. Umas choram, outras riem. E você está desnudo em minha mente. Seu corpo não é belo, mas ainda é meu sonho.

Num súbito momento acordo para a realidade. O real e o imaginário se confundem. O refrão vira introdução. Me pego, então, cantando sozinho a tal canção que não sei a letra, não mais que o refrão. As pessoas ao meu redor se foram. E eu permaneço só.

Até a próxima foda


Meus nervos estão aflorando a pele. Estou estressado até o pâncreas. Tudo me tira do sério. O cara do prato, a mulher com o bebê no colo, a menina mal-educada. Por fora há uma brisa que leva o meu silêncio. Por dentro há uma sirene gritando “foda-se” em 180 decibéis.

Provavelmente as pessoas que lerem isto não conseguirão entender essa breve síntese da minha mente. É algo tão particular que nem sei por que estou escrevendo. Há tanta coisa sobre a minha responsabilidade. Há tanto a se fazer em Gileade. Minha casa está uma bagunça. Estou acima do peso. As pessoas se aproveitam da minha bondade. Abusam das possibilidades. Minha paciência já se foi há muito tempo.

Soda cáustica ou Diabo verde. Chumbinho ou naftalina. Às vezes o meu pensamento é macabro. Mas não tão macabro quanto gostaria. Com certeza gostaria de ter proferido muito mais que um “foda-se” para a garotinha mal-educada. Muito mais do que um “filha da puta” para a piranha com o bebê no colo. Acho que um dia a sirene estoura as barreiras do meu subconsciente e fode toda esta porra.

Desculpe os palavrões, é que o meu stress está me consumindo. Preciso jogá-lo ao papel antes que me decomponha. Até a próxima foda.