23 de setembro de 2010

Sprint



Não dá pra parar agora. Os pés estão pisando nos espinhos. A voz se abafa pelas lágrimas. Mas não dá pra parar. Preciso de fôlego. Preciso de um sprint. Coloquei uma folha de papel com essa palavra na parede do meu quarto. O sprint trata-se de um fôlego que um corredor toma quase no fim da maratona. Quando faltam só 100 metros. Quando o pensamento é invadido pela exclamação: Descanse! Isso torna-se muito óbvio, mas ao mesmo tempo é um grande problema. Não é hora de descançar. Nós nunca descansamos. Sempre estamos fazendo alguma coisa. Até os adeptos do nadismo fazem nada de vem em quando.


A mulher chora na beira da calçada. O motorista passa com carro em cima da poça, molhando-a. Mais a frente o garda corrupto multa o carro por excesso de velocidade, mas oferece a possibilidade de absorção por apenas 50 reais. O filho do guarda morreu. na verdade ele nem nasceu. A mãe é aquela mulher sentada, molhada pelo motorista. Sempre pensamos em parar. Mas a vida não para. É preciso tomar um fôlego, um sprint e continuar correndo. Faltam só 100 metros até a linha de chegada.


Cada um corre à sua maneira. Cada um faz o seu caminho como quer (ou como pode). O que realmente importa é nunca parar. Bob Marley assim que foi baleado saiu do hospital e foi fazer um show. Muitos perguntaram o porquê da atitude tão radical do cantor. "O mal não para", disse ele. A frase que subentende-se aos intelectuais é "Por que haveríamos de para então se acaso o mal não para". E assim seguimos. Uns sem pernas, outros sem lágrimas. Outros inda sem chão. Só não dá pra seguir sem vida.

21 de setembro de 2010

Sonho de Consumo




O desejo mais ardente da massa populacional brasileira é ver o dinheiro público sendo bem aplicado. Mais do que isso, é ter na administração dos tributos alguém inteligente. Isso significa imputar melhorias até ao ar que se respira.

É extremamente coesa a indignação da população com os roubos e desperdícios. Cuecas recheadas com colossais montantes de fortuna ou mesmo os vinte e oito mil reais mensais gastos com frutas para os parlamentares.

A mãe que segura o bebê morto na fila do hospital e o boia-fria que sai cedo para trabalhar porque não há emprego, água ou terra sabem bem o que é o peso da indignação.

Se acaso fossem somados o bom uso dos cofres públicos e as riquezas nacionais o Brasil se colocaria como o mais desenvolvido do mundo. Pode-se então dizer que o sonho de consumo do povo brasileiro é tornar-se uma nação com dignidade, seriedade e qualidade de vida.

O fato (Ela sempre volta)




A voz é suave. Voa nas asas do vento. Flutua nos meus pensamentos. Volta aos meus ouvidos. Ela sempre volta. Ela diz, canta, grita, sussurra. Ela se comunica, se volta a mim.

A voz me leva onde nunca estive a e nunca estarei. A voz me estremece, me tira da inércia. Tudo é voz. Tudo canta. Sempre. Não existe vida sem canção. Não existe sonho sem razão. Não existe guerra sem nação. Tudo é voz, tudo é canção.

Por que grito tão alto? Por quê? Na verdade estou em silêncio. A caneta grita por mim. Ela canta no papel o que eu queria dizer. Ela fala por mim os pensamentos que são gritados.

Quem será essa voz leve como uma brisa e forte como uma ventania? Quem será esse grito silencioso que canta no papel a mesma canção durante os séculos. Eu lírico, onde estás? Deixa-me ver o teu rosto. Mostra-me a face do vento. Conta-me os dias do tempo.

A caneta continua gritando, não consigo parar. E parar para quê? O tempo não para. O grito não deixa de ser levado pelo vento. O mal não para. Por que eu devo parar? Sou uma voz na escuridão. Eu mesmo em todas as formas de sussurro. Eu ainda sou o vento. Eu ainda sou a voz. Sou claro no ato. O fato.

Ninguém importante




Ouve-se um barulho. Um grito macabro soava pela vizinhança. Regado ao som da chuva e à escuridão da noite. Ele é capaz de alcançar quilômetros de distância. Alguém acorda. A luz da casa se acende. Aparece um homem na janela. Ele olha a rua, analisa o recinto, contudo, nada encontra.

A noite torna-se dia. O céu é invadido pela luz de estrela mor e na rua vê-se um rastro de sangue. O corpo de uma mulher caucasiana, desnudo, fora achado. As crianças se assustavam com a cena. A chuva diluía a grande poça de sangue no asfalto. No entorno formou-se uma pequena multidão. Curiosos, que passavam por ali.

A expressão era de medo no rosto dos moradores, Aquela era umas das ruas mais pacatas do bairro. Quando a polícia chegou, a aglomeração começou a dissipar-se. Nada era normal. Ela começou a ser retirada. Ela tem um buraco na testa.
O sangue continua na rua. A cena de um crime a céu aberto ficará para sempre lá. Não se procurou o assassino. Ninguém reforçou a segurança. Foi só uma mulher. Não tinha importância.

Caindo em esquecimento



Batem-se palmas. O teatro lotado bravamente admira a cena. Todos estão com faces sorridentes. O ator desconcertado tenta lembrar a fala. Seus companheiros tentam ajuda-lo, repetem continuamente a deixa. O público nota. Comenta. O diretor bravo faz sinais da coxia.

O quê? Anh?! Eu esqueci a fala!

Essa foi a sentença de demissão. O diretor instantaneamente pega o contrato e grita:


Está demitido! Você foi o pior ator que vi em mais de trinta anos!

A partir daí generalizou-se a discussão em cima do palco. Uns apoiavam a decisão do diretor. Outros defendiam como feras o esquecido ator. Até que então, começou a pancadaria. Chutes e socos emaranhavam-se e a plateia começou a rir. Aplausos se ouviam. Parou-se a bagunça para se dar atenção ao público. O contra regra astuto fechou as cortinas dando fim ao espetáculo.

A plateia saiu encantada com a descontraída e inusitada apresentação. No dia seguinte a crítica foi a melhor possível. O esquecido ator fora recontratado. Agora como diretor do teatro. E quanto ao diretor? Ele esqueceu a fala e foi demitido.

16 de setembro de 2010



Será que ainda há luz no fim do túnel? Há tantos motivos para pensar na resposta negativa e ao mesmo tempo um desejo ardente queima dentro de mim esperando o positivo.

Quero compartilhar algo com todos. Essa canção me emociona.

http://www.youtube.com/watch?v=vY3Jsp2iLkA

11 de setembro de 2010

Pequenas Palavras


Queria te dizer pequenas palavras que o meu coração escreveu pensando em você. Queria dizer em seus olhos, mas eles me deixam sem palavras. Queria dizer o quanto eu te amo, mas como? Como poderia dizer “Eu te amo” a quem eu amo? Como diria o que sinto? Lembro do dia em que te conheci. Foi tudo tão rápido e tão depressa... Mas foi inesquecível. Às vezes eu me pergunto quem você espera o que você espera.

Nunca seria a pessoa certa pra você e pra ninguém, mais vi uma razão para mudar. Não por mim, mas por aquilo que desejo. E desejei pelo desejo mudar meu jeito de falar, de pensar, de viver. Mas, aí pensei “Será que estou mudando para o que esperas?”. Olhei pra você e vi o que mais me impressiona: você.

Você é você não importa a situação. Não importa o que digam, o que pensam, você é sempre você e para todos você é você. Percebi então que deveria ser o que sou. Mas o que sou é tão ruim...

Decidi mudar o que sou para o que não sou eu ser, e assim ser eu mesmo como você é você sem medo ser você. Descobri que te amo demais por que você é você e nada mais. Amo você muito mais do que pensei amar. Amo você sem maldades, sem interesses. E como era o objetivo desta mensagem, três palavras dizem tudo: Eu te amo!!!