Hoje foi mais um dos dias que testam a nossa paciência. Fomos eu e toda a minha família ao Centro de Tradições Nordestinas, a popular Feira dos Paraíba. Eu estava querendo ir lá há muito tempo, pois sou apaixonado pela comida nordestina. O problema é que meu pai estava junto. Como já disse incontáveis vezes aqui o meu pai foi agraciado pelos céus com o dom de tirar-me do sério.
Imagine por um momento uma refeição. Você está à mesa sozinho, o prato é um dos seus preferidos. De repente chega alguém. Vem por trás de você e estaciona à sua frente. Este observa-lhe algumas feições, a forma como você usa os talheres, faz da sua presença um objeto de análise como se fosse algum tipo de micróbio ou germe potencial elemento atômico. Depois deste evento, pergunta-lhe o que está comendo. Você responde irritado, porém paciente ao que obviamente depois de todo o exame a pessoa já sabe. Faz um comentário em tom infantil sobre a sua resposta, do tipo "Uhn que delicia, hein?". Você tenta controlar (por educação) a sua reação. A pessoa continua por ali parada a observar-lhe e formular perguntas óbvias e sem sentido até que sua refeição ou sua paciência termine.
Consegue imaginar isso todos os dias na sua casa e ainda ter que dizer que este cientista marciano é o que os terráqueos falantes de língua portuguesa chamam de "pai"? E aos que leram sobre a minha irmã em Cólera, deixo-lhes o bilhete que encontrei sobre a minha mesa em meu quarto junto a um ovo de páscoa daqueles que minha mãe faz para vender. Acho que ela também é border ou bipolar, mas com certeza não é normal.
Adoro Ana Carolina, sua voz é marcante e sua música não é feita simplesmente de ventos vazios e imperfeitos. Muitas vezes pego-me chorando ouvindo as belezas que esta mulher compõe. Vale realmente parar para ouvir. Este texto foi escrito por outra moça, mas que a Ana dramatizou muito bem. Deixo-lhes, só de sacanagem.
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem! Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba" e vou dizer: "Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!
Qual a mistura da cantora Beyoncé com o Forró Calcinha Preta? Seria difícil imaginar se não fosse pelo internauta Bruno Sartori, que se identifica como Bruno de Luuka. Ele, que possui um site de música chamadoMundo dos Playbacks, usou da tecnologia para encaixar, perfeitamente, o ritmo do forró nas músicas da artista ultrapop Beyoncé.
O resultado não poderia ser melhor. Diria até que a versão de “Halo” superou a original (por favor, fãs da Beyoncé, sem apedrejamentos). Ele fez até a montagem do que seria o CD da cantora em sua versão brasileira, que chamaria I am Maria Bonita. Muito bom!
Vadinho o primeiro marido de Dona Flor, morreu num domingo de carnaval, pela manhã, quando, fantasiado de baiana, sambava num bloco, na maior animação, no Largo Dois de Julho, não longe de sua casa. Não pertencia ao bloco, acabara de nele misturar-se, em companhia de mais quatro amigos, todos com traje de baiana, e vinham de um bar no Cabeça onde o uísque correra farto à custa de um certo Moysés Alves, fazendeiro de cacau, rico e perdulário.
O bloco conduzia uma pequena e afinada orquestra de violões e flautas; ao cavaquinho, Carlinhos Mascarenhas, magricela celebrado nos castelos, Ah! um cavaquinho divino. Vestiam-se os rapazes de ciganos e as moças de camponesas Húngaras ou romenas; jamais, porém, húngara ou romena ou mesmo búlgara ou eslovaca rebolou como rebolavam elas, cabrochas na flor da idade e da faceirice.
Vadinho, o mais animado de todos, ao ver o bloco despontar na esquina e ao ouvir o ponteado do esquelético Mascarenhas no cavaquinho sublime, adiantou-se rápido, postou-se ante a romena carregada na cor, uma grandona, monumental como uma igreja - e era a Igreja de São Francisco, pois se cobria com um desparrame de lantejoula doirada -, anunciou:
- Lá vou eu, minha russa do Tororó...
O cigano Mascarenhas, também ele gastando vidrilhos e miçangas, festivas argolas penduradas nas orelhas, apurou no cavaquinho, as flautas e os violões gemeram, Vadinho caiu no samba com aquele exemplar entusiasmo, característico de tudo quanto fazia, exceto trabalhar. Rodopiava em meio ao bloco, sapateava em frente à mulata, avançava para ela em floreios e umbigadas, quando, de súbito, soltou uma espécie de ronco surdo, vacilou nas pernas, adernou de um lado, rolou no chão, botando uma baba amarela pela boca onde o esgar da morte não conseguia apagar de todo o satisfeito sorriso do folião definitivo que ele fora.
Os amigos ainda pensaram tratar-se de cachaça, não os uísques do fazendeiro: não seriam aquelas quatro ou cinco doses capazes de possuir bebedor da classe de Vadinho; porém toda a cachaça acumulada desde a véspera ao meio-dia quando oficialmente inauguraram o carnaval no Bar Triunfo, na Praça Municipal, subindo toda ela de uma vez e derrubando-o adormecido. Mas a mulata grandona não se deixou enganar: enfermeira de profissão estava acostumada com a morte, freqüentava-a diariamente no hospital. Não, porém, tão íntima a ponto de dar-lhe umbigadas, de pinicar-lhe o olho, de sambar com ela. Curvou-se sobre Vadinho, colocou-lhe a mão no pescoço, estremeceu, sentindo um frio no ventre e na espinha:
- Ta morto, meu Deus!
Outros tocaram também o corpo do moço, tomaram-lhe do pulso, suspenderam-lhe a cabeça de melenas loiras, buscaram-lhe o palpitar do coração. Nada obtiveram, era sem jeito. Vadinho desertara para sempre do Carnaval da Bahia.
(AMADO, Jorge. Dona Flor e seus dois maridos. Rio de Janeiro, Record:1966)
É incrível como a raiva é um sentimento intenso. Parece que nos consome e transforma o corpo. Sinto uma espécie de pressão nas laterais traseiras do cérebro, como inchasse ou o crânio diminuísse de tamanho. Não sei dizer se isto é normal ou apenas um caso raro com o qual fui presenteado.
Hoje estava assistindo tv com a minha irmã. Estávamos só os dois em casa e ela soltou do nada a previa da implicância: "você é chato". Respondi sem nenhum estresse: "a recíproca é verdadeira". Neste momento, ela levantou-se do sofá, veio ate a mim que estava em outra cadeira e deu-me um tapa com toda a forca do punho. Respirei fundo para ver se a raiva se descentralizava, mas ela permaneceu ali e moveu a mão para a tentativa de outra agressão. Segurei-lhe o braço e com voz firme, porém baixa disse: "Pare de me bater! Pare de me perturbar!" Ela cruzou os braços e com expressão cômica e debochada proferiu uma negativa dizendo que "estava a fim de me perturbar" seguida de outra tentativa de agressao a qual em reflexo levantei furioso. Com medo ela saiu correndo para seu quarto e fechou a porta. Dei um soco na porta munido de toda a minha raiva e berrei: "Eu não estou de brincadeira!”.
Eu não agrediria a minha irmã, ate porque ela só tem doze anos. Contudo, seu físico é de uma pessoa bem mais velha e uma agressão pode causar problemas sérios, como uma vez ela abriu um buraco na minha cabeça com uma caneta em outra situação. Já ameacei ir à delegacia, mas todos aqui em casa acham que estou de brincadeira. Não sei até quando a minha paciência vai aguentar. Para mim quem agride uma pessoa não é outra coisa senão um criminoso e o lugar deste é atrás das grades.
Vem a minha mente a voz da minha mãe dizendo: "Você teria coragem de fazer isso com a sua irmã? Ela é sua família!" Ninguém pensou em família quando enfiou com toda forca a mão no meu rosto, como Dona Florinda que bate no Seu Madruga a toda hora. Se fosse com um animal não faria isso, nem em si mesma. Por que, então, eu tenho que ser saco de pancadas?
Acho que não aguentaria senão tivesse esse Blog para desabafar. Se esfaqueasse a parede nesses momentos, já teria sido a muito derrubada. Este é mais um desabafo.
A prefeitura do Rio lançou uma campanha para acabar com o transtorno de passageiros de transportes coletivos. Essas pessoas são incomodadas diariamente por funkeiros que ouvem suas músicas preferidas no celular, tocando alto. O governo vai estimular a doação de fones com a campanha “Seu fone, meu sossego”.
Postos de arrecadação vão recolher fones e dar aos funkeiros e outros amantes de música. “Inicialmente pensamos que essas pessoas tinham alguma anomalia e que só ouviam com o ouvido dos outros, mas isso não se comprovou”, disse um técnico da prefeitura. Outra iniciativa é um projeto de lei que vai proibir toques de celular com refrão de funk. Quem quiser aderir pelo twitter pode dar RT para os seus seguidores clicando aqui. No Facebook, compartilhe com seus amigosclicando aqui.