27 de abril de 2011
Indiano está com braço levantado há 38 anos
Sadhu Amar Bharati: na Índia, um homem que virou símbolo dos seguidores de Shiva; em Esquisitices, motivo de sobra para virar notícia...
Até o começo da década de 70, Amar era um homem comum da classe média, com uma vida simples. Ele tinha emprego, casa, família e três filhos. Só que, um dia, ele acordou e resolveu que iria viver com o braço pra cima, em nome de sua devoção ao deus Shiva.
Segundo o site Oddity Central, em 1973, o cara reparou que ainda estava muito ligado às coisas materias da vida mortal e resolveu se separar dos demais fazendo o que sabe de melhor: manter o braço erguido. Exatamente, são 38 anos com a "axila ao vento", digamos.
Amar inspirou outros a levantarem o braço em nome da paz e da harmonia. Alguns alcançaram sete, 13 e até 25 anos assim. Mas ninguém conseguiu repetir seu feito.
fonte: R7
Um mundo sem noção
Há quem diga que é uma forma de preconceito e que temos que erradicar. As pessoas confundiram o preconceito com a falta de respeito. Os dois são ruins, porém diferentes. O primeiro é uma análise que é feita sem embasamento empírico e a segunda, uma reação mal educada. Quando uma coisa liga-se a outra a situação desestabiliza-se por completo.
Veem-se na tv muitas passeatas, muitas discussões e no final todos voltam para casa e esperam outro dia chegar. Não adianta gritar aos quatro cantos que o Brasil é um estado laico porque todos sabem que não é. Não acredita? Experimente ir a uma churrascaria na Semana Santa. Ou ainda procurar um emprego sem ter passado por uma invenção católica chamada escola ou ainda por outra chamada universidade. Digo mais: tente andar nu em uma via expressa. Sim você será preso por atentado violento ao pudor, e por quê? Porque é pecado expor as suas vergonhas. Não caia em lorotas sensacionalistas. Essas coisas estão enraizadas pela nossa cultura. Tenha noção e entenda onde você está. Pode não ser certo, mas este mundo é tão sem sentido quanto todos nós.25 de abril de 2011
Há de ser...
Eu tentei escrever ouvindo esta música, mas não consegui. Sua letra envolveu-me completamente. Há alguns minutos estava vendo comentários de meus amigos no Facebook sobre o plágio feito pelo grupo Parangolé sobre a banda de rock Angra. Faz-me pensar em como me tornei seletivo em relação à arte. Já fui do tipo que compravas tudo por conta da moda ou embalo de marcas e nomes. Posso ouvir desde samba, funk ou rock até MPB, clássica e gospel. Entretanto pra que algo entre pelo meu ouvido e fermente na minha massa encefálica precisa realmente ter conteúdo.Aos que se lembrar do filosófico funk “A dança do quadrado” que colocava cada imbecil em seu lugar com uma ordem repetida dentro dos sete minutos da faixa. Fico emocionado em ouvir Ana Carolina contar sobre a composição de “Eu que não sei quase nada do mar”, quando recebeu um telefonema de Maria Bethânia pedindo que a mineiro que estivera tão pouco próxima ao mar fizesse a canção sobre ele. O fez com toda maestria sendo sincera junto ao cantor da música que vos segue, Jorge Vercillo. Esta semana parei para ouvi-lo com mais detalhes e hoje passando na ponte, ouvi esta música que está no cd DNA, com participação de Milton Nascimento. Quando eu saí da faculdade o bar em frente estava tocando “Minha mulher não deixa não” e alguns minutos depois eu ouço esta obra que nem sabia que estava no meu mp3. Deixo-lhes a letra e a canção que neste momento permeia o meu coração. Há de ser muito mais que uma poesia, uma paixão.
Há de ser
Jorge Vercillo
Há de ser bonito
Há de ser
Há de ser finito
Há de ser
Há de ser sereno
Há de ser perene
Há de ser efêmero
Há de ser pecado
Há de ser
Há de ser sagrado
Há de ser volúvel
Há der ambíguo
Há de ser altivo
Construirei nosso ninho nas paredes do penhasco
Pra que nenhum paparazzi ouse quebrar nosso casco
Nas pedras de uma caverna vou deixar a nossa história
Para que o vento do tempo não nos apague da memória
Há de ser imune
Há de ser
Há de ser insone
Há de ser
Há de escândalo
Há de relâmpago
Ciclone
Há de ser exílio
Há de Ser
Há de ser edílio
Há de ser luxúria
Há de ser promessa
Há de ser ternura
Cientistas e arqueólogos registraram indícios
De que uma estranha energia paira por nossos vestígios
O sentimento resistirá aos tempos como um fóssil
E o mundo então saberá que ali viveram o amor mais forte
Há de ser
Há de ser finito
Há de ser
Há de ser sereno
Há de ser perene
Há de ser efêmero
Há de ser pecado
Há de ser
Há de ser sagrado
Há de ser volúvel
Há der ambíguo
Há de ser altivo
Construirei nosso ninho nas paredes do penhasco
Pra que nenhum paparazzi ouse quebrar nosso casco
Nas pedras de uma caverna vou deixar a nossa história
Para que o vento do tempo não nos apague da memória
Há de ser imune
Há de ser
Há de ser insone
Há de ser
Há de escândalo
Há de relâmpago
Ciclone
Há de ser exílio
Há de Ser
Há de ser edílio
Há de ser luxúria
Há de ser promessa
Há de ser ternura
Cientistas e arqueólogos registraram indícios
De que uma estranha energia paira por nossos vestígios
O sentimento resistirá aos tempos como um fóssil
E o mundo então saberá que ali viveram o amor mais forte
PS: Respondendo ao post anterior: Eu ADORO o Jô. Foi uma homenagem, ao meu estilo, mas uma homenagem.
24 de abril de 2011
‘Pai do CD’ morre em Tóquio aos 81 anos
Ohga regia a Filarmônia de Tóquio uma vez por ano
O ex-presidente da Sony, Norio Ohga, apelidado de “pai do CD” por ser creditado como o responsável pelo desenvolvimento e a popularização do disco digital, morreu neste sábado aos 81 na capital do Japão, Tóquio, de acordo com a empresa.
Ohga, que presidiu a Sony entre 1982 e 95, morreu de falência múltipla dos órgãos. Ele ainda atuava como conselheiro da empresa.
Em 1953, ele foi recrutado pelos fundadores da Sony enquanto estudava para se tornar cantor lírico. Na época, os empresários ficaram impressionados com o conhecimento de Ohga em termos de som e engenharia elétrica.
Ele se tornou um dos poucos japoneses executivos antes dos 40 anos de idade e assumiu o cargo de presidente da CBS Sony Records (agora Sony Music Entertainment) na década de 70.
Beethoven
Ohga reconheceu logo o potencial do CD e liderou as iniciativas para o seu desenvolvimento.
Ele pressionou pelo estabelecimento de um disco de 12 cm de diâmetro que pudesse acomodar 75 de música, para que contivesse toda a Nona Sinfonia de Beethoven.
A Sony começou a comercializar CDs em 1982 e, cinco anos depois, o formato batia o LP em vendas no Japão.
Suas especificações moldaram outros formatos como o mini-disc e o DVD. Ele também levou a Sony ao ramo de games, com o desenvolvimento da Playstation.
Ele acumulava ainda o cargo de diretor da Orquestra Filarmônica de Tóquio e regia os músicos uma vez ao ano.
Fonte:BBC
Eu matei Jô Soares
- Pela Globo e pela CBN está começando agora mais um Programa do Jô.
Sempre sonhei em vê-lo dizer esta frase bem na minha frente. Adorava seu sorriso sarcástico repleto de ironia no falar. Viajei quilômetros para vê-lo. Ganhei até um beijo gordo. Mas aquela seria a última vez que falaria esta frase. Eu teria que eternizar este mito e assim o fiz com todo o carinho de fã.
Pedi-lhe para tirar uma foto. Você foi muito além em sua gentileza. Convidou-me ao seu camarim. Conversamos algumas coisas, anedotas que ficaram no ar pré-morte. Tudo era branco como você gostava. Após tirar a fotografia e grafar um papel com uma dedicatória a meu nome despedi-me e fui caminhando em direção à porta. Reparei pelo barulho que abria os chocolates que eu carinhosamente lhe dei. Estes foram preparados especialmente para ser a sua última refeição. Tratavam-se de uma iguaria da Amazônia. Cada bombom fora recheado com o doce veneno de uma das espécies de cobras mais mortais já encontradas.
Percebi que mordia e saboreava ao presente como se fossem vindos do céu. O doce veneno provocava paralisia em todos os músculos. Em poucos minutos estava estatizado, quase nu, saboreando um delicioso bombom. Pensava em pedir ajuda, mas a boca não correspondia aos impulsos emitidos pelo cérebro. O coração palpitava em uma taquicardia sem fim. Os olhos esbugalharam-se e fizeram fechar pelo peso morto das pálpebras. O corpo velho e pesado não suportou a gravidade e caiu ao chão fazendo um estrondoso barulho. Assistentes correram para ver o que havia ocorrido, mas era tarde demais.
Pena que não pude fazer-lhe companhia e observar a sua ida. Fazia tempo que não matava ninguém e fora uma experiência maravilhosa começar por você. Afinal, sou seu fã de carteirinha. Bem, tenho que ir agora. Faz três horas que eu não mato ninguém. Só por hoje.
23 de abril de 2011
EU SEI, MAS NÃO DEVIA
Uma amiga (Carol Inácio Vianna) enviou-me este texto. Achei perfeito e combina comigo e com as pessoas que me acompanham neste Blog. Espero que gostem!
Eu sei, mas não devia
Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.
COLASSANTI, M .Eu sei, mas não devia, Editora Rocco, 1996.
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