28 de julho de 2010

Eu tenho um sonho



Eu tenho um sonho. Sei que está em algum lugar. Não me lembro onde eu o deixei. Será que eu o perdi? Não acredito nisso. Eu juro que estava aqui. Será que está debaixo do sofá? Não. Mas eu já revirei a casa inteira. Onde estão os meus sonhos?!?

22 de julho de 2010

Mensagem à 'Pátria'



Isso é um retrocesso. Aliás, é pior que isso: nem saímos do lugar. Falam tanto que nós homens temos que defender a nossa pátria e eu pergunto: o que a pátria tem feito por nós. Vivemos em um país em que crianças são brutalmente assassinadas e a ‘pátria’ não tem lei que coloque os assassinos na cadeia. Estamos vivendo em meio aos porcos imundos pela corrupção, onde a higiene é deixada de lado pelo dinheiro. Até o dinheiro vai para a cueca. Que se danem as infecções e as doenças, roubar é mais importante nesse país.

O exército recruta jovens que poderiam ter futuros promissores, mas são obrigados a treinar, inutilmente, resistindo a tratamentos desumanos para morrerem pela ‘pátria’. A mesma ‘pátria’ que os xinga na hora da seleção, que os tira da escola, do emprego que lutaram para conseguir. Para no final serem jogados na sarjeta como animais que não servem mais ao dono.

Onde colocaram a democracia? Será que ela realmente existe? Esse é um país muito falso. Essa é a ‘pátria’ onde a população para para assistir os jogos da Copa do Mundo, mas não move uma respiração ao ver um morto caído, assassinado, na rua. E os artistas que perguntavam: “Que país é esse?”. Acho que eles morreram por uma resposta e não a encontraram. Esses sim morreram pela pátria. Para vê-la feliz. Morreram defendendo a Pátria das garras ‘pátria’.

Os nossos mártires morreram em vão. Em cada esquina ainda se ouvem a mesma canção dizendo que a vida é sem razão se não se morre pela ‘pátria’. Tenho uma mensagem à ‘pátria’: vão se f...

21 de julho de 2010

Um passado futuro

the time machine Pictures, Images and Photos
O homem desde que começou a pensar vê-se como um ser dominante e “supersociável” que possui uma tecnologia que consegue suprir todas as suas necessidades em curtíssimo tempo. Entretanto, pelo que mais paradoxal possa parecer, não é isso que expressa a indústria cinematográfica. São milhares de filmes de ficção científica que mostram o futuro como um possível retrocesso. Pensam sempre que nos tornaremos como homens das cavernas.

Pode ser que tenham razão sobre o assunto, mais ainda é muito difícil falar sobre o caso. É uma crítica muito sutil aos nossos sentidos, aos nossos filhos. Em filmes como A MAQUINA DO TEMPO e DISTRITO 9, os seres humanos mostram sua alma selvagem. Esta, que se pararmos a analisar mais a fundo nos mostrará que este futuro não está tão distante assim. Na verdade, nós somos esse futuro.

Somos muito intolerantes quanto aos nossos princípios. Detestamos sermos assaltados, mas não perdemos a oportunidade de passar a perna em alguém. Somos contra assassinos, mas queremos assassiná-los. Falamos tanto em paz, mas vivemos em meio a uma guerra que nós mesmos alimentamos.

Somos sim futuros homens das cavernas. Nossa Tecnologia HighTec vai acabar com nossos neurônios a tal ponto de sermos escravos do vento. Outra vez um povo sem escrita, sem língua, sem família, como verdadeiros animais selvagens.

17 de junho de 2010

O papel ainda está em branco


Estou sem palavras. Pela primeira vez na minha vida eu não sei o que dizer. Sobre o que dizer. É desesperador. É tão deprimente. Chega a dar nojo.

Eu olho o papel em branco. ele está lá. Ele é só umpapel. Sem vida ou utilidade. Suas linhas imploram para serem escritas. Minha mão responde ao chamado, mas nenhuma palavra sai. Faço esforço. nada. Tento de novo. Começam a surgir no papel algumas palavras. Palavras que viram frases sem fática, orações sem períodos, predicativos sem verbos de ligação. Uns diriam ser uma espécie de dadaísmo, outros que é falta de ocupação. Eu no entanto já sei a resposta: um autor em contradição.

Estou sem ideias, sem palavras. Sou meu próprio papel. Tenho a caneta nas mãos. A tinta pinga sobre a folha, mas nada é a sua forma. Conseguiu perceber o incrível? Eu disse muitas coisas, estão acabando as folhas e até agora nada da fática, nem da meta. Esta foi-se com a linguagem. O papel ainda está em granco.

Escrito em 14 de junho de 2010.

A porta se abre. Ela entra. fala meia dúzia de palavras curtas e sai. Ele vai atrás. Grita seu nome aos quatro cantos. Ela olga de soslaio, continua a andar. Ele começa a correr. Ela voa. Ele tenta alcançá-la, mas já é tarde. Ela está misturada ao horizonte. Ela já se foi. Ele ainda grita, mas ele não o pode ouvir. Ele para. Ele chora. Se apavora. Queria dizer palavras que nunca tinha dito. mas era tarde.

Escrito em 07 de maio de 2010.

Só uma vez...


Bata a porta
Pise na grama
Faça xixi na cama
Pule a cerca
Só uma vez...

Grite na biblioteca
Enfie o dedo no nariz,
Tire a meleca
Beba até entrar em coma
Deite com outra na cama
Só uma vez...

Pise no acelerador
Seja alguma vez o agressor
Faça valer a vida em você
Só uma vez...

Destrua a plantação
Jogue na sena
Perca a razão
Faça um filho com um desconhecido
Só uma vez...

Atravesse a rua sem olhar pros lados
Fume cigarros sem contar os maços
Beija na boca de quem vier na frente
Só uma vez...

Escrito em 13 de maio de 2010.

A Presa


Abre-me a porta
Não é ninguém
Uma criança acorda
ouço um choro de neném
A casa está escura
Tudo é amargura

A sala está vazia
Há folhas na escada
ouço os pingos da pia
Abóbadas de marmore fria
Meus passos são o único som

A batida da porta me assusta
A fala é tão bruta
Quem está aí?
ninguém responde
A porta se tranca
É uma armadilha

Tarde de mais
Mas não estou em pedaços
Tão pouco em cacos
Mas estou preso
Que armou isso tudo?
Quem me prendeu no escuro?

Quem está aí?
Me tira daqui!
Tudo em vão

A criança volta a chorar
A pia volta a pingar
A porta começa a ranger
Eu pulo a janela
Caio em outra mansão
Outra abandonada

Tudo começa outra vez
A porta está trancada
Tento outra vez pular a janela
Caio em outra mansão
Tudo começa outra vez.

Escrito em26 de maio de 2010.