30 de dezembro de 2011

Lágrimas de um livro

Eu preciso compartilhar aqui o que senti hoje. Pela primeira vez na minha vida, eu chorei lendo um livro. Estou preparando um artigo sobre o Harry Potter para um seminário e lendo sobre a morte do padrinho dao rapaz senti uma certa emoção. Já ouvi que isso pode ser uma depressão de fim de ano ou trauma pré-reveion, mas estou certo de que estou bem.

Como todo ser humano faço planos para o futuro. Pensei em dietas malucas, escrever vários livros, encontrar um amor... A verdade é que neste momento quero vencer ummedo que tenho: ser feliz. Vi isso pela primeira vez em DIVÃ, da Martha Medeiros. Quando estamos a ponto de sermos felizes sentimos um frio na barriga, uma incerteza.

Eu quero realmente escrever um livro até o fim. Quero perder peso para chegar em uma loja e comprar uma roupa sem estresse e me sentir mais leve. Desejo ardentemente encontrar um amor de verdade, daqueles que se beija e flutua. Quero sucesso, dinheiro e muita saúde para desfrutar. Amigos, sim, verdadeiros, porém, rarefeitos, pois multidão é sinônimo de falsidade. Quero cantar, rir e tudo que eu puder fazer.

Desejo essa felicidade passando pelos seus olhos enquanto as lê. Feliz 2012, de verdade. E que ele seja inesquecível.

23 de dezembro de 2011

A noite de Amy

Amy estava assustada demais para falar. O delegado Ridle perguntava pacientemente sobre sua noite, querendo saber de todos os mínimos detalhes. Nada que ele dissesse poderia fazer a moça falar mais do que "meu pescoço". Repetira sempre as mesmas palavras pela última meia hora e cada vez que seus lábios contraíam, as lágrimas saltavam como suicídas ao precipício.

Ridle era um homem bom. Tinha família, filhos e um emprego que lhe permitiam estressantes dias e noites. Desejara naquele momento ter se tornado um vagabundo. Não teria que estar ali interrogando um maluca que tinha sido assaltada. Mas era o trabalho dele e mesmo desejando ir ficou ali ouvindo as duas palavras que a moça repetia. Olhou o relógio pela sexta vez, e uma sétima ainda. Desistiu de olhar a nona quando na oitava descobriu que o dia já estava para amanhecer.

O corpo de Amy tremia. Ela não precisava de um delegado, mas sim de um médico. A voz rouca que repetia as mesmas palavras lembrava-se exatamente do que acontecera. Negro. Alto. Forte. Ela sentiu lá pelas duas da manhã aquele corpo dentro do seu. Era como se aquilo fosse infinito. Estava tão feliz que podia ficar ali encostada à parede com ele para sempre. Mas a respiração dele começou a ficar mais ofegante. As mão negras e enormes agarraram seu pescoço com tanta força que não conseguia respirar. Tentou bater nele. Tentou gritar. Tentou fugir, mesmo nua, pela rua. Estava vendos as luzes dos postes sumir junto com o mundo quando o homem soltou um grito, como um urso e a largou. O ar começou a entrar novamente e doía muito. Caiu no chão sem forças para falar, nem pedir ajuda. Viu o homem recolher a jeba  para dentro da cueca, vestir a calça e partir sem sequer se lembrar que estava ali.

-Minha jovem, se você não me disser o que houve eu não vou poder lhe ajudar.

-Meu pescoço - repetia sobreamente.

18 de dezembro de 2011

O Poder do Silêncio


“E a solução está oculta no silêncio de seus próprios segredos.”
(O Peso do Silêncio, Heather Gudenkauf)

Na história do Brasil e do mundo, vemos milhares de exemplos de pessoas que gritam. A própria Clarice Lispector exalava: “Me deram o poder de gritar, então, eu grito”. Sem querer desfaze-me dos berros alheios, quero dizer-lhes que calem as vossas bocas!

É fato que o grito, uma forma clara de violência auditiva, é capaz de conquistar objetivos pela pressão que este exerce em outros, todavia, as conquistas mais perpétuas e inteligentes foram as que “sorratearam” pelo silêncio enquanto o mundo resolvia berrar. Quem se interessar um pouco que seja pelos Estados Unidos verá o nome de Martin Luther King à frente do grito negro que tomou conta do país. Conseguiram pela força do grito, o devido espaço. Pena que foram seguidos pelo preconceito.

O grito chama atenção para os defeitos. Não sei se isso é algo só do Rio de Janeiro, mas nunca ouvi aqui onde moro uma piada sequer sobre mulher (exceto loiras, é claro). Sorrateiramente, mostrando sempre a quê veio, temos hoje um país altamente feminino. Pode ser que isso não seja uma realidade no Nordeste, por exemplo, mas no centro da revolução feminina ninguém (nem mesmo homens) aturam piadinhas de gosto torpe.

Digo isto, pela forma com que os homossexuais gritam. Eu apoio o respeito aos homossexuais, assim como a todas as causas, contudo, não é no grito que se deixa um legado. Steve Jobs sempre buscou proporcionar aos usuários Apple a simplicidade. O Orkut sem o qual metade da nossa geração não viveria sem, foi sorrateiramente trocado pela simplicidade Facebook. O mundo está inundado por uma sorrateira onde de ecologia. Estou cansado de ouvir piadas de gays, porque os gays gritam. Estou cansado de ouvir o Silas Malafaia porque ele grita demais O segredo está no silêncio. Creio profundamente em Deus. E lembro o que Jesus estava fazendo enquanto todos no barco estavam gritando em meio a uma tempestade: ele estava em silêncio, dormindo.

15 de dezembro de 2011

Apertem os cintos, o bueiro explodiu!


Texto de Agamenon Mendes Pedreira, veiculado em O Globo, no dia 10 de abril de 2011.


A dengue , a inflação e o Ozzy Osbourne estão de volta! Mas essas pragas que insistem em nos visitar de vez em quando não são nada perto da ameaça que o cidadão carioca está sendo vítima. Já não se pode mais andar sossegado pelas ruas do Rio de Janeiro. Outro dia mesmo eu estava sendo assaltado tranquilamente quando, de repente, voou tudo pro alto! Assaltante, revólver, minha carteira, minha dentadura... até mesmo a minha pessoa foi catapultada até o outro lado da rua onde acabei esmagando um mendigo viciado em crack. Fomos todos pelos ares ! Devido de quê?

Um bueiro da Light, subitamente, explodiu sob os nossos pés. E não foi apenas só isso: semana passada outro bueiro da Light explodiu, de uma hora pra outra, bem em baixo do meu Dodge Dart, 73, enferrujado, que fica estacionado na porta do Globo. A violência da explosão foi tanta que arrancou toda a roupa de um jovem padeiro que, justo naquela hora, entregava uma bisnaga quentinha para a Isaura, minha patroa. O assustado rapaz saiu correndo com tudo de fora pela rua provocando assombro nas mulheres e inveja nos homens da vizinhança.

Segundo o meu personal psicoproctologista, Dr. Jacintho Leite Aquino Rêgo MD, essas explosões ocorrem nos intestinos da cidade porque o Rio de Janeiro, no tempo da Colônia, foi construído em cima de uma enorme plantação de repolhos. Com o passar dos séculos, os gases fermentados foram se acumulando debaixo da terra criando, ao longo dos ânus, uma pressão insuportável. Uma espécie de usina nuclear de Fukushima bem debaixo dos nossos pés! A Light tirou os corpos fora e já avisou que não pode fazer nada e para tapar o buraco, quer dizer , o bueiro , e sugeriu que se criasse uma nova modalidade esportiva para as Olimpíadas: arremesso de atleta à distância. Cada atleta fica em cima de um bueiro da Light na cidade e o que voar mais alto leva o ouro.

Estas assustadoras explosões ( que atingiram mais de 7 pontos na Escala Ritcher ) já estão despertando a preocupação da comunidade internacional. Minhas fontes obscuras no MOSSAD, o Serviço Secreto Israelense, revelaram que, na fronteira com o Paraguai, Osama Bin Laden, em pessoa, está treinando com seus terroristas esta nova forma de atentado que vai passar a ser utilizada pela Al Qaeda na sua temporada 2011.

Só existe uma solução para o poltergeist de bueiros no Rio de Janeiro: aproveitar que todo estrangeiro faz confusão mesmo e mudar o nome da cidade pra Bueiros Aires!

Quem somos nós?



Quem somos nós para decidir o que se pode ou não sonhar? Será que somos tão poderosos, assim, ao ponto de querermos dominar o mundo? Quem somos nós para decidir o que é imoral e o que não é? E quem disse que a Terra vai nos engolir?

Quando estudei que a geografia divide a paisagem em natural (feita sem intervenção humana) e geográfica (a partir da mão humana) comecei a indignar-me. As pessoas realmente acreditam que o homem não faz parte da natureza. Ora, a Terra não nos engolirá, ela seguira normal o seu curso da natureza, e nós, como todos os outros animais que alteram o espaço em que vivem por comer e usufruir do que está ao seu redor, poderemos ser extintos.

Trabalhe, compre, coma, vista, use o cabelo desta maneira, esse lugar é de puta: nunca entre aí, homem tem que foder geral, crente não fala palavrão, beijar homem é coisa de viadinho. Tudo isso é uma mera brisa. Eu acredito nas pessoas que querer e que sonham. Elas conseguem realizar os seus sonhos porque são muito mais fortes que aquelas que gritam demais. Não me diga o que eu não posso fazer. Afinal, uma pessoa que vive sem sonhos é uma alma penada.

12 de dezembro de 2011

Enfim em Alta Definição...

Não sei o que posso dizer. Queria, sinceramente ter sílabas tão apoteóticas quanto os superlativos de José Dias, ou tão clandestinos quanto a felicidade de Clarice. Eu poderia passar horas procurando um motivo para não dizer isto desta maneira tão canônica, mas hão de ser deixados para trás os subterfúgios das boas maneiras: eu comprei minha tv.

Confesso que quando saí de casa com minhas mãe e irmã, não pensava em voltar carregando tal objeto, uma vez que esperava as promoções para trocas de estoque do comércio. O preço estava bom e eu tinha o dinheiro. Não comprei uma 42 polegadas, mas a 32 coube exatamente no meu quarto sem sobrar nem faltar o que não aconteceria com outros tamanhos mais avantajados.

Ao que pode parecer uma bobagem eu chamo de autorealização. Estabeleci uma meta, enfrentei muitas dificuldades, descobri minhas fraquezas financeiras e quem realmente é ou não confiável quando se trata dos seus sonhos. Risquei a parede do meu quarto com desenhos de tv. Escrevi bem grande "Eu vou comprar minha tv, ouviu?". Falava disso todos os dias com minha mãe, minha irmã, meus amigos, aqui no Blog e quando cheguei em casa com o tão sonhado monitor, meu "querido" pai indaga à minha mãe: "onde você arranjou dinheiro para dar 'isso' de presente a ele?". Convido-lhe, caríssimo leitor a imaginar essa cena: minha mãe respondendo-o da seguinte forma "eu não dei presente nenhum, ele comprou com o dinheiro dele e pagou o taxi também". A cara dele ficou tão espantada que eu tive de segurar o riso. Levei a caixa ao meu quarto e liguei a maior e mais moderna tv da casa, só pra mim.

Enfim, agradeço à força dos meus amigos (virtuais e de "carne e osso") pelo apoio. Por sentarem-se à mesa comigo na presença dos meus inimigos. Haverá um sessão cinema lá em casa para comemorar. Estão convidados.