27 de agosto de 2011

A Fera - Capítulo 2


Eu não poderia perder aquela oportunidade. Nenum jornalista havia conseguido tal matéria na história.

-         A senhora se arrepende do que fez?

-         Mas de jeito algum. Faria outra vez, se necessário.

-         O que exatamente você sentiu ao cometer o ato?

-         Liberdade. Aquilo representava a liberdade de um amor que estava preso dentro de mim há muito tempo.

-         E cometer o crime não seria levá-la ao cárcere ao contrário do que você sentia? Você não pensou que iria ser pega em nenhum momento?

O anfitrião deu uma risada, como se a minha pergunta fosse sem sentido. Talvez fosse.

-         Quantas pessoas são mortas por dia e ninguém sequer ouve falar?  Só houve aquele rebuliço todo por conta da imprensa e de jornalistazinhos sensacionalistas como você.

Ajeitei novamente minha gravata. Minha cabeça começou a doer e assim puder dar atenção ao que estava em volta. Um segundo que parecia uma hora inteira. Tudo estava vermelho. Vermelho fogo. As janelas e seus vidros derretidos pelo fogo me deram a visão dele. Estava ali. Putrefado e asseado em seu uniforme já desbotado e escuro. Sim, era ele... Era ele. E olha pra mim como se me desse uma ordem.

-         Podemos acabar logo com isso. – Disse meu anfitrião irritado com a distração.

Será que se irritaria se eu pedisse outra entrevista?

-         Aquele ali, na janela. Não é...
-         Sim, é. Por quê?
-         Gostaria de entrevistá-lo.
-         Ele não dá entrevistas.
-         Mas...
-         Termine esta e verei o que posso fazer por você.

As perguntas me fugiram da mente. Só conseguia pensar nele.

 ............................. continua

Nenhum comentário:

Postar um comentário

OBRIGADO PELO SEU COMENTÁRIO!