5 de março de 2011

Eu matei a família Marinho


Eu nunca havia matado tantas pessoas de uma só vez. Parecia que eu estava realizando um sonho e juntamente com o de milhares de pessoas. A família Marinho constituiu um império que aniquilava qualquer forma de pensamento. Mas aquele globo se quebraria naquela noite.

Passei dois meses trabalhando naquela casa. Mudei meu nome, meus hábitos e até meu jeito de falar. Eles me conheciam como Fernando. Eu fazia de tudo, mas naquela noite fui encarregado de servir o jantar. Não era uma noite qualquer. Era a comemoração de aniversário da fundação das empresas da família. A última que eles iriam prestigiar.

O show desta vez teve que ser mais sofisticado. Abri seis garrafas de vinho, dos bem caros e após servi-los, deixei as garrafas com metade de seu conteúdo. Cada garrafa continua em sua base um pequeno “defeito” devidamente arquitetado por mim. Depois de algum tempo elas iriam tombar praticamente ao mesmo tempo, derramando a bebida pelos ilustres familiares.

São dez e meia da noite. Eles saboreiam diversos pratos. A primeira garrafa cai, derrubando tudo sobre a mesa e algumas pessoas. Começa um alvoroço. Mais duas garrafas caem desta vez sobre um arranjo com velas, provocando um incêndio. Um menino de dez anos vira uma tocha. As outras garrafas caem. O fogo segue o rastro do vinho. Todos estão pegando fogo. Apenas algumas seguimos se passam até que o carpete se incendeia também. Agora toda a sala de jantar está em chamas.

Fiz questão eu mesmo de chamar os bombeiros para demonstrar a minha solidariedade e compaixão. Mas não encontraram ninguém vivo ali. Foi realmente uma pena. Faz duas horas que eu não mato ninguém. Só por hoje.

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